Oficinas de alegria: Voluntárias levam música e artes visuais para quem está na fila de espera do INME
No Instituto Não Me Esqueças, cada voluntário é parte essencial do cuidado que oferecemos, centrado na pessoa, no respeito à história de vida e na busca pelo viver bem com Alzheimer. Neste espaço de experiências tão significativas, a professora dra. Maria Irene Souza encontrou uma nova forma de se doar.
Com uma trajetória dedicada às Artes Visuais na Universidade Estadual de Londrina (UEL), ela se juntou ao INME levando todo o seu conhecimento, sensibilidade e arte. Neste depoimento, escrito em primeira pessoa, Maria Irene compartilha o que a motivou a iniciar esse trabalho e as descobertas transformadoras que vive com os participantes das oficinas que hoje desenvolve junto à também professora aposentada Cleusa Cacione.
As duas estão garantindo estímulo e alegria às famílias que ainda estão na fila de de espera do INME. Leia o testemunho da professora sobre solidariedade, compromisso, memória e felicidade.
Trabalho voluntário no INME : Depoimento da professora Maria Irene Souza
Foi o geriatra dr. Marcos Cabrera quem me falou sobre o Instituto, e fiquei com vontade de conhecer, já que ele me disse que foi uma iniciativa da professora dra. Elaine Mateus, com quem trabalhei na UEL. Em outro momento, minha filha atuou no Instituto e me chamou para conhecer o grupo de pessoas idosas com Alzheimer que participavam das oficinas.
Na primeira vez em que ofereci uma oficina para esse grupo, fiquei muito feliz e surpresa com as realizações de cada um e com as observações que eles relataram.
Como ainda estava trabalhando na universidade, me organizei para ir algumas vezes conduzir oficinas de Artes Visuais e, a cada encontro, me surpreendia com os trabalhos realizados pelos participantes.
No ano passado, comecei a ir quinzenalmente ao Instituto Não Me Esqueças para realizar oficinas de Artes Visuais, dialogando com os trabalhos que os outros profissionais desenvolviam.
Neste ano de 2025, a professora dra. Mara Dellaroza, então presidente da entidade, ofereceu um dia da semana para desenvolvermos oficinas semanais com os idosos que estavam na fila de espera, já que o trabalho do Instituto é muito inovador, com ações voltadas para os idosos que têm Alzheimer — o que gera muita procura.
Diante disso, já aposentada do Departamento de Artes Visuais da UEL, convidei a Dayse Longo, servidora aposentada da Pró -reitoria de Extensão da UEL e a professora Cleusa E.S. Cacione, docente aposentada do Departamento de Música e Teatro da UEL, para fazermos um trabalho juntas, estabelecendo um diálogo entre Música e Artes Visuais.
A nossa proposta é oferecer oficinas de Música e Artes Visuais aos inscritos nos projetos do Instituto Não Me Esqueças, adotando linguagens dos universos sonoros e visuais para estimular a sensibilidade dos idosos. Procuramos adotar propostas de autores contemporâneos das duas áreas, e nosso percurso vai do sonoro ao visual — e vice-versa.
Para se ter uma ideia dessas experiências, a primeira proposta se desenvolveu a partir da audição de A Primavera, de As Quatro Estações, de Antonio Vivaldi. Na sequência, solicitei ao grupo que desenhasse as sensações que a música promoveu. Coloco aqui alguns trabalhos que resultaram da proposta, para que se tenha uma ideia da importância dessa vivência.
A idosa que desenhou esta flor disse que, para ela, a experiência foi de felicidade.
Convém lembrar que os sons vibram em nossos corpos também, e acessam memórias que podem se transformar em imagens.
A experiência desse dia apresentou muitas surpresas para nós, pois há idosos muito calados, que às vezes dão a impressão de não estarem conectados com a proposta. Entretanto, os resultados são sempre surpreendentes!
Penso que, após trinta anos de trabalho na Universidade, temos muitas experiências para serem desdobradas e desenvolvidas com essa população. É uma forma de retribuir à população idosa tudo o que a Universidade nos permitiu aprender e experienciar.
Então, é impossível não se comprometer com um trabalho voluntário como este!


